A transição de jovens recém-graduados para o mercado de trabalho em Moçambique continua marcada por severos obstáculos estruturais. Ter um diploma de nível superior ou técnico-profissional deixou de ser garantia de rápida inserção ou de estabilidade laboral alinhada à área de formação académica.
Segundo análises sobre o sector de formação profissional e universitária, apenas 50% dos recém-formados conseguem obter um emprego no primeiro ano pós-graduação. Para a outra metade, a busca por uma oportunidade estende-se habitualmente por um período de três a quatro anos.
Conteúdo Relacionado:
O desalinhamento entre os cursos e a procura das empresas é outro ponto crítico. Cerca de 31% dos diplomados do ensino superior trabalham em sectores alheios aos seus estudos. No ensino técnico-profissional, esse índice atinge 43%, sendo que 32% dos técnicos declaram não aplicar no seu dia-a-dia as competências desenvolvidas durante a formação.
Apesar de a taxa de ocupação aumentar com o tempo — atingindo cerca de 90% para universitários após cinco anos e 79% para técnicos ao fim de quatro anos —, a qualidade do emprego continua frágil. Apenas 39% dos diplomados do ensino técnico possuem vínculo laboral formal, com 42% a exercerem actividades sem contrato escrito e 41% sem inscrição no sistema de segurança social.
Com um fluxo anual de 18 mil graduados universitários e 16 mil técnicos concluídos, a oferta académica responde a uma ínfima parte dos 600 mil jovens que atingem os 18 anos anualmente no país, evidenciando a urgência de políticas de apoio a estágios, orientação vocacional e dinamização do sector produtivo.
