A recente divulgação de registos visuais sobre as operações de mineração na República Democrática do Congo (RDC) voltou a colocar no centro do debate global a degradação das condições laborais e os abusos contra os direitos humanos na extração de recursos minerais críticos. A RDC detém a responsabilidade pelo fornecimento de mais de 70% do cobalto mundial, além de ser uma importante fonte de coltan, matérias-primas vitais para o fabrico de baterias para veículos elétricos e equipamentos eletrónicos.
Dados estatísticos recentes demonstram que mais de um terço dos trabalhadores artesanais na região de Lualaba operam sob regimes de trabalho forçado. O levantamento indica igualmente que perto de 10% da força de trabalho no setor extrativo local é constituída por crianças. Em termos de rendimento, os trabalhadores artesanais auferem um valor médio estimado em 3,28 dólares norte-americanos por dia, sendo que 87,8% dos inquiridos relatam ter entrado na atividade mineira devido à total ausência de alternativas económicas de subsistência.

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Organizações multilaterais e entidades internacionais têm documentado com frequência a presença contínua de trabalho infantil e cenários de elevada degradação nas minas de cobalto, coltan, ouro e diamantes do país. Esta realidade evidencia o contraste entre as metas globais de descarbonização através da transição energética e os graves desafios socioeconómicos enfrentados pelas comunidades locais na base da cadeia de abastecimento.
